quarta-feira, 19 de outubro de 2016

-Espetáculo Cosmogonos 2007-

terça-feira, 11 de outubro de 2016


*BAN[1]-TUS

(Performance Afro)

A principal proposta da performance  minimalista  denominado “BAN-TU” é resgatar a ancestralidade  e a diversidade rítmica brasileira provenientes da África Austral  que predominantemente  representada no Espirito Santo, através  das manifestações culturais  da Congo, Ticumbi, Jongo e Folia de Reis, que consequentemente influenciaram toda  a  musicalidade  brasileira . A cultura banto também está representada nas expressões da língua, religião, gastronomia e indumentária afro-brasileira.
A duração performática é de 7 minutos.
Apresentação no lançamento do livro de Cleber Maciel "Os Negros no Espirito Santo" no Palácio Anchieta no Salão São Thiago-Vitória/ES 23/08/1016.


[1] Grupo étnico originário do Congo e Angola que em particular vieram para o Espírito Santo e que influenciaram de maneira significativa na pluralidade cultural.
Os *Ban-tus são  um dos grupo étnico que provindos da África , são expressivos  na  composição   identitária  cultural  afro-capixaba que para além dos ritmos das manifestações populares do Congo, Ticumbi/Caxambu, Folia de Reis  e Jongo, lundu, umbigada, samba, xaxado, baião, maracatu, frevo,  fofa e nas religiões afro- brasileira  contribuíram massivamente na língua luso-brasileira, bem como na religiosidade .  *Ban-tus :Significa humanidade. 
N. do autor- A Srª Laura Felizarda (89 anos) é uma das representantes viva de um  dos maiores patrimônios (imaterial/material) da humanidade, a saber, o congo- manifestação popular afro-capixaba  provinda da África Austral, em particular do Congo Angola.           
Teatro Carlos Gomes Vitória/ES -Epopeia de Gilgamesh em cena o mestre Paulo Fernandes (espetáculo de dança/teatro, poesia, efeitos visuais, iluminação e música). Os últimos dias da temporada, confira!
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Descrição: http://ape.es.gov.br/Media/ape/_Profiles/5da4c065/67f2eb20/0%200014%20(2)%20editado-1.jpg?v=636117740420664514


Exposição “Memórias da Dança” mostra a trajetória das apresentações nos palcos capixabas

A Mostra "Memórias da Dança", que será aberta pelo Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APPES) na próxima segunda-feira (19), às 17 horas, ...
APE.ES.GOV.BR|POR APEESENTA 
Mostra que será aberta pelo Arquivo Público do Estado do Espírito Santo na próxima segunda-feira (19), às 17h, traz fotografias, cartazes e programas de espetáculos que relembram a trajetória dos grupos de dança nos palcos capixabas, nas décadas de 1970, 1980 e 1990. O lançamento contará com uma palestra do bailarino e coreógrafo Paulo Fernandes. #CulturaES

A Mostra "Memórias da Dança" aberta pelo Arquivo Público do Estado do Espírito Santo traz fotografias, cartazes e programas de espetáculos que relembram a trajetória de grupos de dança em suas apresentações nos palcos capixabas e homenageia Consuelo Rios, Carlos Lowzada, Magno Godoy e Maria Lúcia Calmon, importantes nomes da dança clássica e contemporânea no Estado. Inserida no projeto "Acervo em Exposição”, que tem por objetivo apresentar os variados tipos de documentos disponíveis para pesquisa na instituição, a atividade revela que a capital do Estado estava em sintonia com o crescente movimento da dança clássica e contemporânea nacional. O lançamento contará com uma palestra do bailarino e coreógrafo Paulo Fernandes.

A ampla e consistente movimentação cultural das décadas de 1970, 1980 e 1990, período abarcado pela Mostra, também teve força e representatividade na dança do Espírito Santo. Nos anos da ditadura civil-militar, marcados pelo cerceamento das liberdades políticas e artísticas, diversos grupos, de estilos variados, deixaram um legado dos mais produtivos e transformadores.
Inicialmente com o apoio da formação técnica proveniente do “Ballet Studio” de Lenira Borges e do curso de Educação Física da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) - em suas disciplinas voltadas para a dança, o folclore e a expressão corporal - foram abertos os caminhos para a profissionalização dos grupos e o surgimento de talentos que projetaram o Estado, uma vez que, por esses espaços, passaram bailarinos que se tornaram coreógrafos e diretores de companhias.

A exposição busca registrar a atuação dos grupos locais e de outros estados e países em suas performances em Vitória. Ações estas que contribuíram para consolidar a dança capixaba como expressão artística respeitada e admirada por suas criações e pela originalidade dos seus idealizadores.

Serviço:

Montagem e curadoria de Sérgio Dias, Rosana Pádua, Josiane Jubini, Ivana de Araújo e Jeferson Sarmento (estagiário).

Informações à imprensa:

Arquivo Público do Estado do Espírito Santo

Jória Motta Scolforo

3636-6117/99633-3558

comunicacao@ape.es.gov.br

Facebook: Arquivo Público do Estado do Espírito Santo


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

*DAN- SER OR NOT DAN-SER

Gilbert Chaudanne,

Lançou vários livros entre

eles: A Passagem de Marina,

Critico de arte, pintor, escritor,

e geólogo.

2010

Numa recente exposição na antiga casa Cerqueira Lima, organizado pelo Instituto Quorum- Paulo Fernandes apresentou fotografias do seu trabalho de coreógrafo e de bailarino sobre o tema Mithos/Tècknè, e no dia da vernissage ( que incluía pinturas minhas sobre o mesmo tema), Paulo dançou ao redor de Yemanjá: uma montagem feita por ele. E Yemanjá estava lá, no meio da sala, grande, antiga, presente- imensamente brincando de azul celeste - esverdeado e branco cercado de filó, espalhado no chão em forma de circulo, o que lembra a roupa da noiva e a espuma do mar. Bodas marítimas?

Isto também remete á Vênus dos gregos que nasce da espuma do mar e não do mar liquido. Porque então essa espuma e não a água- em- si?

A espuma onde Paulo Fernandes dançou, nascendo dela de uma certa maneira ( o nascimento, a parturição, é um tema recorrente no trabalho de Paulo), e para o mar o que é a flor para a Terra, e aqui é mais significativo que isto aconteça no Estado do Espírito Santo que é o estado das orquídeas cujas pétalas brincam de fazer rendas como a espuma do mar( e com a prosa de Marcel Proust).

Mas a espuma, no seu estado de quase gazeificação corresponde as fases de alquimia e da psicologia junguiana a uma “evaporação” – espírito santo em relação ao ventre das origens que é o oceano e suas profundezas.

A espuma pode lembrar um pouco, o derramamento das lavas vulcânicas, e a baba que borbulha na do epiléptico.

Ora, o epilético tem haver com a percepção alucinada da divindade (Maomé, Dostoievski) e nas sociedades tradicionais, o epiléptico é respeitado como aquele que recebe o Divino.

Essa espuma do mar e do epiléptico pode ser a Saliva de Deus e sabendo como no judaísmo e no cristianismo; “No inicio estava o verbo”, aqui remete à boca – espuma- saliva e assim como a “alma”, o espírito desse verbo, Deus não criou o universo, Deus babou o universo e nós, representados por Fernandes, nós os humanos andamos e nadamos nessa baba divina. Andar e nadar não é bem o termo exato, porque para sustentar essa baba, há de dançar: como no candomblé, como no katakali,

E mais: a dança como espuma tem a marca da leveza epiléptica do Ser.

E isso é tanto que a montagem ao mesmo tempo é forte e delicada (em relação mar/espuma) como na sua maneira de dançar, de pensar o corpo, de ter um corpo pensante. E o pensamento do corpo é justamente a dança. Paulo tem uma maneira muito particular ou até singular de perceber a dança do Ser-em-si, e nele: parece está vasculhando o espaço através de um código gestual quase matematizado. E muito quer dizer- essa alta codificação- que a baba de Yemanjá não é a marca de um delírio patológico, mas algo que se refere ao “impensado”, ao impossível de ser pensado e que só pode ser apreendido pela participação do corpo ( e do corpo dançante). O que não quer dizer que o corpo é a nova instancia divina/ por excelência/ não/ o corpo pode ser considerado como uma espécie de “Código da Vinci”, um alfabeto meio segredo, que só pode ser lido por aqueles que entenderam que não se pensa só pela cabeça, pelo espírito. E Paulo Fernandes é dessa raça ontológica.

Ele sabe ficar num equilíbrio que se traduz pela dança e que consagra numa dança, algo como uma matemática: afinal o gesto do bailarino cria figuras geométricas, e essa geometria é a essência do Cosmos- eles, os gregos a chamavam de música das esferas.

E essa dança das esferas gregas, usa um certo minimalismo, um certo despojamento, uma nudez- sim- e ao mesmo tempo um lado barroco que se reflete na roupa “rica” de Yemanjá.

Curiosamente, mas respeitando as tradições dos orixás, o rosto de Yemanjá, é velado- o que quer dizer que não se pode ver o rosto divino- porque seu esplendor é tanto que pode se tornar insuportável, e pode se converter numa crueldade sem nome- que chamamos de loucura da “cegueira de toda visão”( Bhaghavad Gita e Gita de Raul Seixas).

Mas a surpresa aqui é não há nada atrás do véu, nenhum rosto, o rosto transcendental da Divindade é vazio. Mais delírio. Não.

Em muitas tradições espirituais (São João da Cruz, a Cabala), o Divino é noite, é vazio, é “algo que não é algo”, é um grande Nada (ou o desenho do Monte Carmelo de São João da Cruz). O bem conhece “Ser aquele que é”, é percebido, não como ser, mas como não ser. (houve toda uma linha de pensamento nesse sentido = a teologia negativa). Porque o ser divino não do mundo dos fenômenos, e paradoxalmente o Divino, que por excelência, é, é percebido na negatividade (presença/ausência da filosofia de Heidegger). Por isso que Paulo Fernandes parece, com seus gestos, procurar o “objeto” perdido, algo que se perdeu e que pode ser encontrado na arte, na dança.

Ele nada na baba divina para nos oferecer, e só vai receber essa baba quem soube segurar um cristal de neve entre os dentes.

E é o milagre: a neve, a espuma não desaparece. Mas para fazer isso, essa proeza ontológica, há de ter muita delicadeza, muita leveza, atributo passivo da dança.

A espuma não desaparece, ela, ao contrário, se eterniza. A montagem de Paulo e a dança de Paulo diz a cristalinilidade do Eterno Retorno.

O corpo volta de sua corporeidade fisiológica, sustentado pela baba cósmica, pela espuma do mar de Yemanjá e assim o corpo se torna algo que flutua, e que assim não se enraíza, não é associado à terra, mas ao mar e diz a metamorfose das formas e a espuma do mar de Vênus -Yemanjá- Oannes que diz toda a leveza e a cristalinidade de ser e do Ser, sua “flutuância” e seu efeito de flor- bouquet da consciência.

A possibilidade dançante do cristal, Paulo Fernandes dançando, reconstruindo seu corpo- como Antonin Artaud- não a partir dos orgãos, mas a partir da espuma, - uma espécie de arquitetura móvel do corpo: a dança – como metafísica do corpo em ação, um corpo que aprende a balbuciar seu próprio nome, além das palavras, na baba de uma epilepsia transcendental.

Adeus, René Descartes e teu corpo- máquina! Aqui o que se tem é algo como um espírito de corpo, algo que é assim enfiado como uma faca, mas que faz totalmente parte do corpo e que se manifesta, não pelo delírio – mas numa verdadeira matemática da carne e do sopro; uma espiritualidade corporal como na Índia.

O trabalho de Paulo Fernandes é isso: despojado. Nu e barroco, estranho e estranhamente familiar, ela fala do Ser, da transcendência embutida no gesto milimetrado.

Uma dança que remete as mais antigas tradições e por isso é plenamente atual é a eternidade.

*N. do autor - O titulo rever a expressão da palavra dançar do francês , dando um sentido polissêmico do Ser. Inclusive Dan é um personagem hebreu bíblico, filho da escrava Baláh, reconhecido como o guardião divino e, chamado de “arauto da justiça”.

Oannes- Deusa da mitologia assírio- babilônico, deusa das águas.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010